A história da Rádio Siderúrgica Nacional de Volta Redonda

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Construída pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) em 9 de abril de 1955 a Rádio Siderúrgica Nacional de Volta Redonda, ou rádio ZYP – 26, foi um dos meios fundamentais para a incorporação da filosofia “Família Siderúrgica” difundida pela Usina, além de levar cultura e diversão na época de ouro do radio.

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Em sua inauguração teve o seu texto lido pelo radialista José Madureira.

O Lingote, 25 de Novembro de 1953, pg.12

Assim como o Jornal O Lingote a emissora era mais um meio de comunicação da cidade na época, com com uma potência inicial de 100 watts, levava todas as informações diárias à chamada Família Siderúrgica, nome dado pela CSN aos funcionários e beneficiários para com o objetivo de integração à empresa.

Rádio Siderúrgica de Volta Redonda VRAntiga
O Lingote, 25 de Abril de 1955, pg.12

“após haver o Gen. Edmundo de Macedo Soares e Silva, Presidente da CSN, acionado a chave que a punha em funcionamento”

(ALKINDAR, 2004, p. 421)
O Lingote, 25 de Abril de 1955, pg.12

Em sua inauguração, além do Presidente da CSN Edmundo Macedo Soares e sua diretoria, compareceram autoridades como o Prefeito Sávio Cotta de Almeida Gama, Manoel Barcelos (Presidente da Associação Brasileira de Rádio Difusão).

O Lingote, 25 de Abril de 1955, pg.12

Como funcionava a Rádio Siderúrgica Nacional de Volta Redonda

Com uma área de 500 m2, a emissora operava na Rua 100, nº 1 do Bairro Laranjal, com 100 watts de potência em sua antena, houve a necessidade de aumentar para 1.000 watts já em 1977.

A emissora também fazia transmissões de apresentações de auditório, shows e esporte no centro esportivo da CSN, o Recreio do Trabalhador.

Rádio Siderúrgica de Volta Redonda VRAntiga
O Lingote, 10 de Dezembro de 1955, pg.2.

Em suas dependências possui 3 estúdios, 3 sono-técnicas, 1 sala de rádio jornalismo, 1 oficina de rádio-técnica, 2 salas de redação, 1 sala de discoteca e 2 auditórios. A emissora contava com uma sala onde eram produzidos os efeitos sonoros que conseguiam aproximar a produção da realidade, muito utilizado para radionovelas, bem populares já na década de 60.

O Lingote, 10 de Julho de 1955, pg.2

Sua sintonia era de 1.500 Kilohertz, podendo abranger toda a Vila Operária, Usina e adjacências.

A Equipe da Emissora

No início, a equipe da Rádio Siderúrgica de Volta Redonda era formada por funcionários da CSN que também exerciam outras funções em departamentos da empresa.

Rádio Siderúrgica de Volta Redonda  VRAntiga

Jorge Negri era contador formado, iniciou na CSN em 1950, mas na Radio era conhecido  como  “Júlio  Cezar”,  apresentador  do programa “Atendendo Ouvintes

O chefe da Rádio Siderúrgica Nazer Feres Temes foi um dos funcionários mais antigos da CSN, e também trabalhava na área de contabilidade.

Na ordem: Ubirajara Ramos (Locutor Esportivo), Ronaldo Gori e Dário Azevedo

Durante sua operação, vários radialistas passaram pela Rádio Siderúrgica Nacional de Volta Redonda, como os locutores abaixo, José Madureira e Eduardo de Carlos.

Locutores da ZYP – 26: José Madureira e Eduardo de Carlos

Dois dos mais famosos e ainda em atividade são os radialistas Uiara Araújo e Dário de Paula. O último começou na emissora com 10 anos de idade, no programa de radionovelas Clube do Estudante, sobre a atuação do radialista o Jornal o Lingote destacou em reportagem:

Rádio Siderúrgica de Volta Redonda Prata da Casa VRAntiga
O Lingote, Agosto de 1965, pg.4.

A Rádio também ecoou vozes como Benedito Alves de Rezende, o famoso Tio Bené, Manoel Alves, Jurandir Mateus, José Nélio Pereira de Andrade, Élcio Venâncio, Enivaldo Pereira, entre outros.

Fim das atividades

Após 25 anos de operação a Rádio Siderúrgica Nacional de Volta Redonda finalizou suas atividades em 30 de dezembro de 1980, com o discurso lido emocionado também pelo locutor José Madureira.

Rádio Siderúrgica de Volta Redonda

A Câmara de Vereadores de Volta Redonda reconheceu a emissora como serviço de utilidade ao público, além de vários diplomas de mérito pelos trabalhos desenvolvidos.

Mas foi em 12 de agosto de 2002 foi promulgado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a Lei 3913 de autoria do então deputado Nelson Gonçalves que institui o tombamento do prédio como patrimônio histórico estadual.

Hoje, apesar de toda sua rica história, a Rádio Siderúrgica Nacional de Volta Redonda está no mesmo local, mas com sua estrutura em avançado grau de degradação e em péssimo estado de conservação.

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